O curso propõe uma leitura crítica da história da fotografia paulistana, compreendendo-a como um campo de disputas simbólicas em torno da cidade, de seus territórios e de seus sujeitos. A formação percorre diferentes momentos da produção fotográfica em São Paulo — do século XIX aos registros contemporâneos — analisando como a fotografia documentou, interpretou e, em muitos casos, silenciou experiências urbanas.
A partir da obra de fotógrafos como Militão, Guilherme Gaensly, B. J. Duarte, Thomaz Farkas, Nair Benedicto e Tuca Vieira, o curso discute os desafios de representar a cidade e suas transformações, articulando fotografia, memória e visualidade. Com ênfase nas relações entre representação, cidadania e direito à memória, a formação oferece instrumentos teóricos e repertório visual para a análise crítica de imagens públicas, situando-as em seus contextos históricos, sociais e políticos.
Aula 1 | Militão e Gaensly, os primeiros registros urbanos
Fotografia oitocentista e o nascimento da iconografia paulistana; Militão Augusto de Azevedo e o Álbum Comparativo (1862–1887); Guilherme Gaensly e a imagem do progresso; disputa simbólica entre memória e modernidade.
Aula 2 | Do Arquivo da Cidade à São Paulo moderna: B. J. Duarte e o fotoclubismo
Criação do Arquivo Fotográfico de São Paulo (anos 1930); a atuação de Benedito Junqueira Duarte e a institucionalização da memória fotográfica; experiência do Foto Cine Clube Bandeirante: modernidade, experimentação e vanguarda; fotografia como prática coletiva e artística.
Aula 3 | Fotojornalismo e memória: Nair Benedicto e a cidade
Anos 1970–1990: fotografia documental, imprensa alternativa e democracia; Nair Benedicto: imagens de resistência, gênero e cidade; fotografia como denúncia e construção de memória social.
Aula 4 | Registros contemporâneos: o Atlas Fotográfico
O projeto Atlas Fotográfico da cidade de São Paulo e seus arredores de Tuca Vieira; a pluralidade contemporânea: fotógrafos, coletivos e a cidade em múltiplos olhares; visualidade, direito à representação e disputas de memória no presente.
SOBRE O PROFESSOR
Felipe Garofalo é mestre em História, Crítica e Teoria da Arte pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). É pesquisador e gestor cultural, com especialização em Gestão Pública pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em Gestão de Cidades pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona, na Espanha. Foi idealizador do LAB FOTO, laboratório fotográfico público inaugurado em 2017 no Centro Cultural São Paulo, voltado para a educação e experimentação em fotografia. Atuou no Núcleo de Curadoria do Museu da Cidade de São Paulo, com destaque para projetos relacionados à fotografia na Casa da Imagem e na organização do 1º Prêmio de Fotografia Militão Augusto de Azevedo. Foi cocurador de exposições como “Registros do Brás” (2022), no Solar da Marquesa de Santos; “Uma outra cidade, um outro tempo” (2022), na Casa da Imagem; e “Mário de Andrade e a estética fotográfica modernista” (2023), na Biblioteca Mário de Andrade.